quinta-feira, 23 de abril de 2009

Assunto importante:

21.05_SEMANA DA LUTA ANTIMANICOMIAL!!!!

(Trago aqui um momento de consciência e realidade deste dia da luta antimanicomial e cito um grande poeta que pensa de uma forma consciente a verdadeira luta de pessoas que convivem e presenciam o viver ao lado de esquizofrenicos ou doentes mentais!)

O poeta Ferreira Gullar abordou de maneira corajosa em sua coluna semanal este mês(Folha do Estado de São Paulo)a questão da assistência à saúde mental.O escritor, vive esse problema em sua própria família, tem dois filhos portadores de Esquizofrenia.Ele propôs a revogação da lei de 2001 que mudou os parâmetros para o atendimento aos portadores de transtornos mentais no território nacional.A lei da reforma psiquiátrica determinou que as internações se dariam só em último caso.Gullar,em seu texto,culpa-na por ter deixado muitos doentes desamparados.Com a restrição às internações,pacientes e familiares são submetidos a provações e riscos.Famílias com menos recursos que não podem cuidar de parentes durante o dia,por exemplo são severamente afetadas.Embora a reforma seja meritória nos princípios,o problema de sua implantação foi ter feito diminuir os leitos em hospitais psiquiátricos sem que a rede de assistência ambulatorial que cumpriria melhor a finalidade de reinserção social do paciente em seu meio tivesse sido estabelecida em nível nacional.Os hospitais seriam substituídos pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), divididos em três níveis:
O primeiro apenas para atendimento diurno em cidades com até 70 mil habitantes. O último, para o atendimento 24 horas, em grandes cidades.Com oito anos de vigência da lei, 16 Estados ainda não possuem os chamados Caps nível 3 (24 horas).
As residências terapêuticas, para onde pessoas com doenças mentais graves deveriam ser levadas após deixarem os hospitais, ainda não existem em oito Estados.
E assim por diante.Pelo que entendi,Gullar apenas fez esta crítica para que as pessoas começassem a repensar sobre este dia que eu não consigo entender o que tem que ser comemorado.Não é bacana ser Louco.Este dia teria que ser revisto na minha humilde opinião e deveríamos começar á repensar esta data como comemoração,acho que isso é mais político do que realmente o dia da Luta Antimanicomial.


Eu,Tatiana,estudante de Terapia Ocupacional e amante das pessoas e do que elas são,independente de suas patologias,parabenizo Gullar,por ter provocado durante toda a semana uma discussão sobre este tema,e com certeza logo logo outros assuntos ocuparão o espaço e este cairá no esquecimento,infelismente, isso para as pessoas que se ofenderam com o que leram.
Não conseguimos nem sequer imaginar o que é um pai ter dois filhos doentes mentais e conviver com isso há tanto tempo,pois se o Gullar hoje tem em média 80anos seus filhos devem ter 50.Já imaginou o que essa família deve ter vivido?Pessoas estas que viveram dentro de casa com esta doença tão ameaçadora ao mesmo tempo se controlada e vista ela pode ser apenas uma cicatriz que você terá que conviver pelo resto de seus dias.
Acho que falta um pouco no ser humano,um lado de começar se colocar e sentir o que o outro passa ou sente,antes de qualquer tipo de julgamento e de pensamento sobre tal situação ou tal acontecimento. Respeito as opiniões diversas de cada pessoa,porém estou aqui deixando a minha e uma possível mudança de paradigmas e crenças que ajudam-nos á não olharmos para as pessoas e para nós mesmos como realmente somos.

Para você que não sabe como começou esta história de manicomio ou mesmo de doentes mentais e esta data de luta antimanicomial,segue a fala de Goullar.

(A campanha contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão "burguesa" para defender os valores do capitalismo.A classe média, em geral, sempre aberta a ideias "avançadas" ou "libertárias", quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que "as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles". E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: "Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu".Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra "manicômio", já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou "solitárias" para segregar o "doente furioso". Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de "repressão burguesa", resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre.)

Assunto provocante,não acha ??

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